Extraído do UOL
02/07/2009 – 10h33
da Efe, em Pequim
A crise econômica mundial pode e deve ser utilizada para mudar um sistema financeiro global ‘pensado só para alguns poucos privilegiados’, e cujas instituições e conceitos ‘criam pobreza artificialmente’, disse nesta quinta-feira o prêmio Nobel da Paz Muhammad Yunus, em Pequim (China).
O banqueiro bengalês disse que a atual crise é “a pior que se poderia imaginar”, mas afirmou que a imprensa, centrada nas finanças, esquece com frequência que é também “uma crise alimentar, energética e ambiental”.
Sobre isso, Yunus disse que é o momento de os economistas e políticos de todo o mundo, reunidos de hoje até o dia 4 na Cúpula Global de “Think Tanks” (centros de pesquisa e análise) em Pequim, aproveitem o momento para “desfazer o feito”.
“Todo mundo está ocupado em pensar em como ‘voltar à normalidade’. Mas de que normalidade estamos falando? Eu não quero voltar à situação anterior, é preciso criar um marco para não voltar a criar os problemas da ‘normalidade’ que havia antes”, disse.
Yunus propôs em seu discurso, entre outros, uma remodelação dos sistemas financeiros, que no passado não davam lugar aos mais desfavorecidos e que obrigaram a que pessoas como ele formulassem um sistema financeiro à parte, o dos microcréditos.
Por último, o prêmio Nobel propôs mudar o próprio conceito dos negócios, “já que agora acredita-se que as pessoas apenas buscam o máximo lucro, e as pessoas têm muitas outras dimensões”.
“O sistema se centra em nossa parte ‘egoísta’ e esquece nosso lado ‘altruísta’. Sugiro criar dois mundos dos negócios, um que faça dinheiro e outro que o use em ‘negócios sociais’”, disse Yunus aos presentes ao fórum em Pequim.
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