A matéria abaixo foi veiculada no jornal Diário do Grande ABC e fornecida pelo clipping da Abcred. Retrata o movimento de ampliação da oferta de microcrédito na Grande São Paulo, bem como o aumento da concorrência no segmento. Há uma gafe do(a) jornalista quanto ao nome do Almir Pereira, atual coordenador do Banco do Povo Crédito Solidário, mas vale a leitura.
Região atrai bancos para oferecer microcrédito
Diário do Grande ABC – 11/08/08Leone Farias
Do Diário do Grande ABCO Grande ABC começa a atrair instituições financeiras para o microcrédito produtivo, que é o financiamento para microempreendedores (até R$ 60 mil de faturamento anual) normalmente sem acesso ao sistema bancário tradicional e, em boa parte dos casos, na informalidade.
Oferecido na região há alguns anos por instituições como o Banco do Povo Crédito Solidário – organização formada por uma parceria entre a prefeitura de Santo André, com outras administrações municipais e com entidades da sociedade civil -, e o Banco do Povo Paulista, do governo estadual, o microcrédito é um nicho praticamente inexplorado pelos bancos comerciais do País.
Com uma divisão para essa área criada em 2002, o Banco Real reestruturou recentemente a metodologia de atuação para o chamado “nanoempresário”, e intensificou suas apostas nesse mercado.
O crescimento do banco na modalidade tem sido rápido. De janeiro de 2007 e janeiro deste ano, o banco multiplicou por cinco o número de contratos fechados. Passou de 11 mil para 53 mil clientes no período, e ampliou a carteira de empréstimos, de R$ 16 milhões para R$ 59 milhões.
O foco inicial da instituição era o Nordeste, mas recentemente surgiu o interesse na Grande São Paulo, em particular em São Bernardo e Diadema. No Grande ABC, de 100 clientes em janeiro do ano passado, já são 500 neste ano. A meta é chegar a 1.000 no final deste ano.
Segundo o superintendente da divisão de Microcrédito do Banco Real, Giovani Anversa, a expansão na região metropolitana era considerada mais difícil, já que a nova metodologia empregada se baseia na solidariedade (a garantia solidária, em que no mínimo três obtém juntos empréstimos para seus negócios e assumem todos o compromisso de honrarem o pagamento). “É preciso conhecer outros empreendedores, o que é mais difícil nos grandes centros”, disse.
No entanto, a operação na região – nos bairros de Vila São Pedro, Jardim Calux e Jardim Claudia, em São Bernardo; e Vila Nova Conquista, Promissão e Jardim Marilene, em Diadema – tem se mostrado bem sucedida. “Testamos empréstimos individuais e não deu certo. Há seis meses, começamos com os grupos solidários e deslanchamos”, disse.
O banco oferece taxa de 2,95% em São Bernardo (na média do País a média ainda é um pouco menor, 2%) e prazo para ativos fixos, de até 12 meses e para pequenas reformas, até 36 meses, e valores emprestados de R$ 200 a R$ 10 mil, e só exige CPF, RG e comprovante de endereço, além de uma avaliação do negócio feita in loco por um agente de crédito.
Cabeleireira recebe dicas para crescer
Para a cabeleireira Lúcia Maria de Souza, 46 anos, de São Bernardo, o microcrédito oferecido pelo Banco Real tem sido uma oportunidade de crescer nos negócios.
Um dos segredos da operação do Real é o papel do agente de crédito, que tem de conhecer a comunidade e não só vender mas também para identificar as necessidades dos clientes. Com o acompanhamento do agente que tem visitado seu estabelecimento e a orienta em relação aos empréstimos para não dar um passo maior do que a perna, ela tem conseguido incrementar resultados.
O último recurso obtido (em um grupo solidário com outras duas colegas, uma que tem loja de fraldas e uma revendedora de produtos de beleza) foram R$ 2.500, para pagar em sete vezes, que utilizou para a pintura do salão e a compra de espelhos e de um sofá. Antes disso, havia quitado um de R$ 2.000 para a troca do piso do local.
“Tem ajudado bastante. Tinha duas pessoas trabalhando aqui, já estamos com cinco”, disse. Seu salão, o Estilo, recebe em média 300 clientes por mês. “Pretendo ir além e investir mais aqui”, afirmou Lúcia, que já pensa até em abrir filial em outro bairro.
Mercado cresceu dez vezes em quatro anos
Os números do mercado de microcrédito produtivo mostram que, gradualmente, há uma expansão da base de clientes atendidos e empréstimos. De um total em carteira de recursos financiados de R$ 4,5 milhões em janeiro de 2004, já são R$ 424 milhões (em abril último), quase 100 vezes mais no período, o segmento ganha espaço, no atendimento à população sem acesso ao sistema bancário tradicional.
Para o superintendente da divisão de Microcrédito do Banco Real, Giovani Anversa, há muito espaço para crescer. “São 11 milhões de nanoempresários no País”, disse.
Na região, o Banco do Povo Crédito Solidário, sediada em Santo André, também ganha impulso. Segundo o gerente, Almir Teixeira, uma mudança semelhante à introduzida pelo Real, tem propiciado bons resultados: a garantia solidária, que elimina a exigência de garantia real (veículos, cheques, imóveis ou fiador).
No ano passado, de janeiro a julho, a instituição tinha R$ 965 mil em empréstimos para 523 contratos, todos individuais. Neste ano, no mesmo período, já são R$ 1,2 milhão com 1.202 créditos e quase a metade (569) destes são no formato dos grupos solidários.
Dessa forma, embora tenha juros mais altos (3,9% ao mês) do que o do Banco do Povo Paulista, do governo de São Paulo (1% ao mês), a instituição de Santo André tem ganhado aceitação.
A entidade do Estado registra neste ano na região (operações em São Bernardo, São Caetano, Mauá e Rio Grande da Serra) apenas 162 contratos neste ano, até junho, com o total de R$ 544 mil emprestados.
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